29 de jun de 2008

não falo de poesia adormeço com ela
embriago-me com palavras distantes de destinos
que desenham ilusões efémeras e constroem o sonho

28 de jun de 2008

absorvo a espera de forças deformadas pelo acaso
que não regressa das raízes ocultas e cintilantes
entre reflexões e análises determino os sintomas

26 de jun de 2008

prematuro e premente penetra no universo
predestinado talento incrustado na pele
que corre afogueado pelas veias da página

11 de jun de 2008

redesenho-me na impotência que me assalta
abri a porta e espreitei o abismo
despedacei-me contra a rocha perdida no mar
esmorecida, tacteio as vagas robustas
afogada em infrutíferas palavras
e mergulho no centro da terra desejando a lua
sangro as palavras mas elas não respondem
não sinto, não penso, não existo

10 de jun de 2008

as dádivas inflamam a razão
absorvem o ar contaminado da oferta
e determinam o tamanho colossal do mundo

5 de jun de 2008

recolho-me nas asas do universo
e no papel de satélite cenobita viajo
à velocidade da luz no espaço interestelar

4 de jun de 2008

suspensa em qualquer ponte sem outra margem
invento conexões fantasiadas
de passados amenos adiados por promessas
transcendentes barreiras de neve pura
derretem-se com o calor emanado
pelas veias intermináveis do vulcão